O
quanto era a miséria dos meus conhecimentos perante a PHC*
¹*
(Pedagogia Histórico Critica)
² “A ignorância nunca foi útil a
ninguém!” Marx
Qual o significado das
tendências educacionais para educação Brasileira? Qual as influências dessas tendências
educacionais na educação do nosso país? O que alterou e deixou de alterar na
educação Brasileira? Quais os benefícios ou danos que trouxeram para a
filosofia, história, psicologia e didática na educação Brasileira?
Por si só é uma bagagem
de conhecimento que nem todo professor terá a propriedade e noção de tal
destino, isto requer um profundo e minucioso estudo para responder tal
arcabouço de questões possíveis de aproximar as preliminares respostas da
indumentária precisão.
No meu livro A Anomia do
Professor, abri alas para este destino, apesar de tímida e amadora, porque não
tratei especificamente como objeto de estudo tal tema, mas abordei
primariamente e percebi que neste aspecto o quanto era a minha miséria do meu
conhecimento sobre tal tema abrangente que dá várias teses acadêmicas.
Na Anomia do Professor
exponho a luta do materialismo versus idealismo, do criacionismo versus
ciência, positivismo versus marxismo; do qual correntes distintas no processo
construção de conhecimento e interpretação da vida para a humanidade; reflito a
educação num olhar marxista, ainda que primário e aponto posições das correntes
socialistas e comunistas da educação, além de ousar sobre a escola comum que
aproxima minhas idéias na compreensão do materialismo histórico dialético, das
idéias do professor Dermeval Saviani (porque eu não ligava a teoria da
Pedagogia Histórico Critica-PHC ao formulador que é Saviani). Isso mostra do
quanto minha pobreza perante a conhecer as idéias pedagógicas em disputa na
educação Brasileira.
Elencando minhas
dúvidas sobre a filosofia do método Paulo Freire, vem me incentivando ler sobre
as tendências educacionais na história da educação Brasileira, do qual Dermeval
vem me ajudando muito nas suas obras e me instrumentando sobre o olhar critico
aos períodos educacionais e a hegemonização e influencia de pensamento nos
currículos escolares, de sua ideologia e estruturas de valores das elites
Burguesas (monárquica, agrária, capital produtivo e a financeira) na ontologia
histórica.
O despertar para tal,
veio das aproximações ao assistir o mestre Dermeval Saviani em curso partidário
em julho/15 – Jacareí/SP e depois um seminário sobre a Pedagogia Histórico -
Critica/PHC em 25 a 29 de Janeiro/16 na cidade de Limeira/SP.
Quero aqui destacar a reflexão
de miséria, perante a ligação mais fecunda do tema: pensamento, idéias,
história e tendências educacionais no Brasil e minha miopia perante a
importância da PHC para o debate atual sobre educação Brasileira.
Do ponto de vista
filosófico, miséria não é uma visão estática, mas um ponto de partida e chegada
do estado de coisa apresentada pode ser considerada uma pobreza, mas uma
pobreza acumulada e ter contrapartida em suas necessidades e sai do estado de
coisas que se encontra; a inquietação da pobreza gera um movimento em busca da
riqueza do conhecimento que se é provocado, pois bem...
Essa inquietação sai do
ponto de partida, é provocada em primeiro plano no campo filosófico e em
seguida no papel histórico que tiveram como condutora e vanguarda das tendências
educacionais nos planos, gerenciamentos e execuções do estado na educação
escolar.
Marx ao fazer a crítica
a Joseph Prudhon em Miséria da Filosofia passou o bisturi (como diz Saviani) na
filosofia da miséria, condenou a interpretação Prudoniana quanto à teoria do
valor, a compra da força de trabalho e geração da Mais Valia; a contradição de
Prudhon é aberrante pela sua pobreza tanto na filosofia como nas categorias da
estrutura econômica, sua vaidade pequena burguesa cega seu olhar mais
revolucionário; Marx afirma: ”O que demonstro, sobretudo é que Prudhon não tem senão
idéias imperfeitas, confusas e falsas sobre a base de toda a economia política,
o valor permutável, circunstanciais que o leva a ver os fundamentos de uma nova
ciência numa interpretação utópica da teoria do valor de Ricardo” – Londres. Jan/1865. “O
lado bom, ele vê exposto pelo economista; o lado mau ele vê denunciado pelos
socialistas. Toma de empréstimo aos economistas a necessidade de relações
eternas, toma de empréstimo aos socialistas a ilusão de não ver na miséria
senão a miséria” K. Marx – 1865.
Não diria que o estado
de minha pobreza esteja tão quanto a de Prudhon perante a economia, mais diria
que, o que me faltava era a indumentária da pedagogia histórico critica, para
melhor interpretar a educação Brasileira e suas tendências educacionais no país
e no mundo; além de uma tendência educacional próxima as minhas convicções
marxista.
E porque cheguei a esta
conclusão agora? Já tinha lido ESCOLA E DEMOCRACIA em 1990, estudado textos de
Saviani no Movimento secundarista e na formação acadêmica de pedagogo, estudei
o livro Educação: do senso comum a consciência filosófica e pedagogia histórico
critica de 2002 a 2005, o primeiro livro comprado no quinto Coned em Recife-PE.
Perdura a pergunta: POR
QUE DESPERTEI E ASSUMO AGORA A TEORIA PHC?
Algumas conclusões
primárias e apontamentos para tal:
- Porque
a teoria tem peculiaridade Brasileira, estuda a educação do Brasil há
trinta anos sobre o critério do método do materialismo histórico dialético;
- Porque
tem como referência a formação do ser humano na sociedade comunista para a
educação contemporânea;
- Tem
como objeto de estudo o mundo do trabalho, ou seja, a divisão do trabalho,
além da propriedade privada sobre os aspectos das categorias educacionais;
- Suas
fundamentações apresentam três pontos como eixo na sociedade comunista no
processo educativo I. A individualidade livre e universal na sociedade
comunista; II a auto-atividades como atividade plena de sentido e
fundamento da vida na sociedade comunista e III as relações humanas plena
de conteúdo na sociedade comunista;
- Tem
compromisso de não educar a humanidade como seres abstratos, mais sim
autênticos sobre a completude mais integra da formação humana;
- Porque
é uma teoria que propõe a apropriação, pela classe trabalhadora, da
totalidade do conhecimento socialmente existente;
- É
uma teoria que se contrapõe a alienação do trabalho, ao qual Marx decifrou
como uma imposição do capital e faz dos trabalhadores cegos perante as
armadilhas do inimigo: o patrão;
- É
a teoria que pela compreensão de luta de classe, afirma que o conhecimento
e produção dele, não são neutros!
- É
essa teoria que denuncia a associação entre o neopsitivismo com agenda pós
moderna tendo compromisso comum com a democracia capitalista, uma espécie
de antípodas solidários, com semelhança a de denúncia de Lukács (1979)
sobre neopositivismo e o existencialismo; dos quais são substâncias para a
renovação do pensamento de direita refinado, com adesões de intelectuais
que se reivindicam de esquerda;
- É a teoria que se propõe a fazer a luta
ideológica no campo da produção de conhecimentos no Brasil pela superação
do capitalismo e a valorização da Escola
Sobre estes aspectos
conclusivos que apresentamos ao debate e o convite para a soma desta teoria,
podemos destacar que esta teoria vai além das minhas conclusões, apresenta uma
leitura mais fecunda do campo da psicologia histórico-cultural, em entender
melhor o desenvolvimento do psiquismo³, a educação escolar e a construção do
conhecimento objetivo acerca da realidade; sobre a prática educativa; da ética
classista.
No desenvolvimento do
psiquismo destacamos:
- Que
os pesquisadores Leontiev, Luria e Vigotski desenvolveram esta categoria
de estudo;
- Que
sobre o aspecto deste desenvolvimento, Leontiev afirma que o que dá origem
a forma humana no reflexo da realidade é a consciência humana; Vigotsky
afirmou que existem dois planos na função do desenvolvimento da criança, o
primeiro no social e o segundo é no psicológico; Saviani afirma que “a natureza
humana não é dada ao homem, mas por ela produzida sobre a base da natureza
humana biofísica. (...) o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e
intencionalmente, em cada individuo singular, a humanidade que é produzida
historicamente pelo conjunto dos homens” – Saviani, 2003, p.13;
- Que
o processo desse psiquismo se dar pela conversão das imagens em signos e a
construção do sistema de signos denominados linguagens; depois a
construção das idéias e, por conseguinte os conteúdos do pensamento que opera
na regulação do comportamento através de conceitos, juízos sobre as
coisas, análise/síntese, comparação. Generalização e abstração. Nesse
acumulativo de funções psicológicas sensação, percepção, memória,
pensamento e imaginação se dar as funções cognitivas em construção da
realidade subjetiva; assim demonstramos que existe uma diferença entre
emoções e sentimentos, versus pensamento empírico e pensamento teórico,
mostra também que a cognição e o afetivo é parte construtiva do psiquismo;
- No
desenvolvimento do psiquismo na educação escolar, se dar a ligação do
real, com maior grau de fidedignidade de representação subjetiva que chamamos
de conhecimento objetivo, porque a realidade existe independentemente da
consciência dos homens; a representação subjetiva da realidade em sua
maturidade, historicidade e essencialidade concretizam o conhecimento
objetivo. Posto isto a apropriação e prioridade dos conteúdos é a única
forma de lutar contra a farsa do ensino; cabendo a educação escolar
garantir o desenvolvimento da consciência transformadora nos indivíduos,
sendo ferramenta indispensável para tenhamos ação ao meio e sejam sujeitos
da história, instrumentalizando os indivíduos para a atividade consciente
e nas transformações de si mesmos;
- No
campo da ética a PHC se ampara sob a ética marxista, onde seu objetivo
ético se volta para emancipação humana, não pela via particular, mas nas
condições objetivas de uma atividade pela transformação das relações de
produção;
- Na
prática pedagógica, a PHC está comprometida com o projeto educativo numa
visão de ser humano e de sua relação com o trabalho determinado pelo
materialismo histórico-dialético; porque existe o trabalho material e não
material, mas que ambos sejam transformadores da ordem vigente; nessa
prática pedagógica a PHC propõe cinco momentos: o ponto de partida,
problematização, instrumentalização, catarse (que é um processo de síntese
com aprofundamento continuo) e ponto de chegada. Com destaque de que sem a
história do individuo, não tem diagnóstico do ponto de partida; porque a
sociedade capitalista não considera este critério, a avaliação da educação
capitalista não garante e impede o sujeito ascender ás formas mais
desenvolvida da cultura (as formas da linguagem mais elaborada) excluindo
o sujeito do processo de humanização.
O que mais me empolga
nesta pesquisa sobre a teoria PHC; é sua desconstrução das pedagogias do
“aprender a aprender” e eu achei o que eu queria ler, sobre o modismo do
construtivismo e suas influencias; a crítica da PHC ao construtivismo é direta,
firme e fundamentada na abordagem histórica de onde vem esse modismo na prática
pedagógica Brasileira.
Destaco as
considerações aqui a critica da PHC as pedagogias do “aprender a aprender”:
- Seu
fundamento vem da teoria de Jean Piaget, considerado como liberal no campo
do pensamento, com sua obra: “a epistemologia genética” influenciou a
educação Brasileira com surgimento da tendência escolanovista de Anísio
Teixeira e outros na LDB de 1961; nos Parâmetros Curriculares Nacionais em
1998, com assessoria de César Cool (construtivista espanhol), onde a carta
indicativa mais recente é o livro referendado por esta teoria é o livro:
“Educação: Um tesouro a descobrir
- Segundo Marilda Gonçalves Dias facci, no
livro: Pedagogia Histórico Critica – 30 anos, p.122/2011, ela destaca a
descrição de Saviani sobre a teoria do “Aprender a Aprender”. O lema
“aprender a aprender” “remete ás idéias pedagógicas escolanovistas” [...]
“deslocando o eixo do processo educativo, do processo lógico para o
psicológico; dos conteúdos para os métodos; do professor para o aluno; do
esforço para o interesse; da disciplina para a espontaneidade” Saviani
(2007, p. 429);
- O
embasamento da teoria do “aprender a aprender” não distingue filiações
filosóficas, inclui vários pensadores de pólos distintos, uma verdadeira miscelânea;
porque falta historicidade na epistemologia genética, visto que se apóia
no biologismo e se distancia dos pressupostos Vigostyskianos (Duarte –
1996/2000);
- A
negação dos conceitos científicos para facilitar, colaborar no processo da
aprendizagem; da negação do professor como principal ator do processo de
ensino; quando se esvazia o processo do conteúdo na aprendizagem, esta
teoria mostra-se baseada no pragmatismo, no Espontaneismo, sem uma
reflexão. Pode-se considerar que é uma teoria de cunho liberal para
maquiar metodologia do capitalismo com seu pós modernismo, utilizando
chavões de que tudo depende do individuo abrindo o fetiche da
individualidade, como a do homem de fácil adaptação independente da
precarização do trabalho que tem sofrido, mostra-se seus vínculos com a
ideologia neoliberal dos quais as
políticas neoliberais de formação de professores passa pelas idéias
articuladas pelas proposições construtivistas.
Depois destas
conclusões e considerações sobre a PHC e o “aprender a aprender”, percebo do
quanto foi cruel e cinismo ideológico no meu curso de graduação, onde afastavam
o pensamento de Vigotsky do Marxismo; do quantos danos estamos tendo no
processo de ensino para os filhos da classe trabalhadora e a educação escolar virarem
produto do capital.
Dimensiono o universo
da responsabilidade que temos ao assumir uma teoria que se contrapõe ao
jurássico modelo do individualismo, do currículo secular com inovações
artificiais para se perdurar como sistema e do papel transformador que temos
perante esta cratera do fosso criado pelo algoz da divisão do conhecimento.
Maria Gonçalves destaca
o pensamento de Vigotsky sobre o papel do professor para com o aluno, de
“somente o pensamento cientifico pode contribuir para que o aluno conheça a
realidade, saindo da aparência e caminhando em direção á essência das relações
sociais que produzem e são produzidas pelos próprios homens. Só dessa forma
teremos a maioria dos indivíduos humanizados!!!” (2011, p.141- in: Pedagogia Histórico
- Critica).
Jocelin de Lima Bezerra – Celino
Professor
da rede Municipal de Parnamirim/RN; escritor; diretor de formação sindical da
CTB/RN e Pte. do SINTSERP