terça-feira, 31 de maio de 2016

A sentença da promotora a quem planeja conhecimento


Ocupar esta tribuna pela primeira vez na casa legislativa desta cidade poderia ser na ocasião em fazer um apanhado das lutas de todos os servidores do nosso município, poderia aqui expor sobre ausências de direitos que esta casa poderia validar e deve; poderia falar do PCCS da saúde que ainda esta casa não aprovou, poderia falar da merendeira que não tem o direito de insalubridade, poderia falar dos vigias que não tem o risco de vida numa cidade tão violenta ou da lei 900/96 que garante o plano de carreira aos servidores geral, das eleições diretas para diretor, do plano municipal de educação ou da merenda que não é de qualidade; mas espero termos mais oportunidade de expor estes problemas aqui nesta tribuna.

Mas por acaso tem uma coisa que mais nos chama atenção, que é uma atitude surgida por parte de quem deve defender o direito e não tirá-lo, falo do inquérito civil da promotora Luciana Melo
.
“Quais as principais funções de um Promotor de Justiça?

O Promotor de Justiça é responsável pela defesa da ordem jurídica, do Regime Democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.”
Pois a promotora Luciana Melo, instaurou um inquérito civil público contra os professores, a educação e contra a lei 11.738/08, que garante a estes profissionais o direito de planejar suas aulas obtendo 1/3 da carga horária para esta função; acusando os professores de ócio remunerado.

Estamos em pleno século 21, onde a tendência do mundo trabalho é avançar na qualidade deste em especial a quem produz as necessidades da sociedade; a atitude da promotora vai de encontro à lei e jurisprudência garantida com muito suor.

Enquanto os trabalhadores historicamente no século XVII, XVIII, XIV, XX e XXI foram tentar quebrar a ditadura do relógio do capital, de dar aos trabalhadores tempo a vida, ao lazer enfim viver e não ser escravo do trabalho a favor do capital; a conquista da Lei 11.738/2008 é fruto dessa luta secular aos professores, afinal o nosso trabalho é construir o produto subjetivo/imaterial da sociedade que é o conhecimento e isto não é tarefa pequena, é grandiosa e prioritária para a sociedade.

É bom lembrar que existe no Brasil uma luta para diminuir a carga horária no regime de trabalho, que passe de 44h para 40h semanal, num intuito de melhorar a qualidade da produção no nosso país; porque a atual carga horária no Brasil ainda compromete a saúde do trabalhador e a qualidade do produto, afinal trabalhador cansado não produz de forma qualitativa.

É bom lembrar que hoje os trabalhadores na França estão paralisados porque o presidente daqueles pais está retirando um direito conquistado com muita luta por eles, não querem regredir, aquele país os trabalhadores têm a menor carga horária (36h) do planeta e tem sua produção em alta escala e qualitativo devido o critério de respeitar o trabalhador como ser humano e não colocar ele no mundo da alienação ao trabalho.

Durante muito tempo o trabalho docente não era regulamentado em suas especificidades em especial a sua carga horária, a Lei do Piso dos professores deu esta condição em pleno governo desenvolvimentista que do qual hoje foi golpeado pelas elites em seus aparatos de poder o chamado consórcio elitista (mídia, promotor, banqueiros e bancada da bíblia e da bala).

Quais os argumentos da senhora promotora para tal fim?

Em síntese a promotora Luciana Melo apresenta sua defesa que os professores devem cumprir carga horária em hora relógio e não hora aula (definida pela lei nacional); a hora aula é reconhecida pelo MEC (Ministério da educação) e pela constituição Federal Brasileira, ou seja a promotora que fazer de Parnamirim um outro país, com Lei especifica para os professores, porque segundo sua “defesa” a hora aula trás danos ao erário público.
A promotora Luciana Melo quer que os professores tenham a jornada de 60h e não 50h como garante a constituição e a Lei do Piso, segundo ela, só assim terá mais professores em sala de aula e os “gastos” serão diminuídos. Só pra quem entende que educação é gasto e não investimento.

Ora, sejamos sensatos! Nem a Prefeitura questiona a Lei 11.738/08, será que só é isso que trás dano ao erário público?

Perguntar não ofende, aqui faço as perguntas para a reflexão do debate:

1.    Porque a promotora que já está preocupada com o erário público, ela não fiscaliza o dinheiro que está sendo “investido” no saneamento da cidade?
2.    Porque não fiscalizou a situação da merenda nesses últimos anos que do ponto de vista nutritivo é qualificada como merenda para obesidade com lactose e massa?
3.    Porque não fiscalizou o dinheiro que seria gasto com o kit dengue que custaria 800 mil ?
4.    Porque não processou a prefeitura que gastou dinheiro com livros que se quer ainda foi entregue aos alunos?
5.    Porque não intimou o prefeito Mauricio Marques e a ex secretária de educação do dinheiro que foi gasto com o aluguel de uma Biblioteca fantasma que custou em 3 anos 128,340?
6.    Porque não intima o prefeito pelo gasto em grande numero e alto salários dos cargos comissionados, que alguns se querem vão ao trabalho?
7.    Porque a promotora se negou a ajudar as negociações de implementação do plano de carreira e nas greves que tivemos? Já que seu argumento foi que a Promotoria não se metia em reivindicação de trabalhadores?
8.    Porque questionar a carga horária de um piso de Professor já que a mesma promotora tem uma carga horária igual a nossa e recebe 14 vezes mais ?

Minha conclusão é que a promotora não ajuda o processo de qualidade de ensino no município, compreende a educação como uma fábrica, ou seja, a famosa educação bancária que tanto Paulo Freire condenou; desconhece o papel de planejar e a vida cotidiana dos professores, seu argumento desqualifica o terço da carga horária, que foi conquistado pioneiramente no estado por este sindicato na justiça, já que era para ser implementado automaticamente por todos os prefeitos e governadores deste país.

O direito de planejar é sagrado, é nele que conquistamos êxito com aquele aluno, filho de trabalhador que começa a aprender e a fazer leitura de mundo; é este planejamento que nos garante e entender o processo de ensino e aprendizagem. Fazem os alunos terem a melhores notas na prova Brasil, que não é dado aos professores, mas o prefeito que leva o bônus da bem feitoria.

Planejar é dar vida ao processo de ensino aprendizagem, é uma das atrações principais da escola. É essa ferramenta que faz a escola ter um mínimo de qualidade e faz a escola ser mais atrativa para comunidade e em especial aos seus protagonistas da aprendizagem; negar o planejamento é anunciar a morte da qualidade de ensino.

O que queremos como sindicato, é solicitar um amplo debate sobre o tema e garantir a lei, a conquista e a dignidade; esperamos desta casa no mínimo a defesa da Lei, da dignidade e uma nota de solidariedade a quem constrói o futuro dos filhos dos trabalhadores, o futuro da cidade com conhecimento.

Esperamos que esta casa convide a promotora pra fazer um debate sobre o tema e que possa ser digna de sua humildade e voltar atrás de uma coisa que não é papel de Promotor, tirar direito é retroceder a linha da história; porque a partir de hoje nós professores temos uma grande tarefa que é orientar nossos alunos a serem promotores para dar dignidade, defender o direito, a constituição e não faça igual a Luciana Melo, que por acaso não passou por escola pública e nem muito menos conhece o cotidiano da vida dos professores e tenta fazer destes réus porque apenas planeja para uma melhor aula e um futuro aos nossos alunos.


                                               Jocelin Bezerra – Celino
                                    Professor da Rede Municipal e Pte. do SINTSERP 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

sexta treze e o golpe da foice burguesa

As idéias do fantasma esteve presente no estado Brasileiro, sim as idéias avançadas que amplia a participação do povo no governo, nas decisões do estado e implementação de suas exigencias; não foi em sua totalidade mas diferenciou o dos governos de diretrizes neoliberal e burguesa.

foi exatamente por isso que este governo social democrata avançado, progressista não prosseguiu, errou na tática e se iludiu com o inimigo, esta é a real; mas é tempo de esperança, é tempo de reconstruir e em busca disto que iremos não dar trégua a foice da burguesia na democracia, que mesmo que burguesa eles não deixaram a esquerda governar um tempinho.

pois bem tiraram a mãe dos pobres do governo, Dilma como mulher soube ensinar politica a muitos Brasileiros que irão sentir falta de suas oratórias, ontem mesmo percebi quanta pobreza do discurso do jurista burgues como chefe de estado, mas o povo vai perceber estas diferenças, além das piores que é a de não atender a voz do povo pobre  e trabalhador, aguardem cartas...

quinta-feira, 10 de março de 2016

O quanto era a miséria dos meus conhecimentos perante a PHC*
                                                        ¹* (Pedagogia Histórico Critica)
                            ² “A ignorância nunca foi útil a ninguém!” Marx           
Qual o significado das tendências educacionais para educação Brasileira? Qual as influências dessas tendências educacionais na educação do nosso país? O que alterou e deixou de alterar na educação Brasileira? Quais os benefícios ou danos que trouxeram para a filosofia, história, psicologia e didática na educação Brasileira?
Por si só é uma bagagem de conhecimento que nem todo professor terá a propriedade e noção de tal destino, isto requer um profundo e minucioso estudo para responder tal arcabouço de questões possíveis de aproximar as preliminares respostas da indumentária precisão.
No meu livro A Anomia do Professor, abri alas para este destino, apesar de tímida e amadora, porque não tratei especificamente como objeto de estudo tal tema, mas abordei primariamente e percebi que neste aspecto o quanto era a minha miséria do meu conhecimento sobre tal tema abrangente que dá várias teses acadêmicas.
Na Anomia do Professor exponho a luta do materialismo versus idealismo, do criacionismo versus ciência, positivismo versus marxismo; do qual correntes distintas no processo construção de conhecimento e interpretação da vida para a humanidade; reflito a educação num olhar marxista, ainda que primário e aponto posições das correntes socialistas e comunistas da educação, além de ousar sobre a escola comum que aproxima minhas idéias na compreensão do materialismo histórico dialético, das idéias do professor Dermeval Saviani (porque eu não ligava a teoria da Pedagogia Histórico Critica-PHC ao formulador que é Saviani). Isso mostra do quanto minha pobreza perante a conhecer as idéias pedagógicas em disputa na educação Brasileira.
Elencando minhas dúvidas sobre a filosofia do método Paulo Freire, vem me incentivando ler sobre as tendências educacionais na história da educação Brasileira, do qual Dermeval vem me ajudando muito nas suas obras e me instrumentando sobre o olhar critico aos períodos educacionais e a hegemonização e influencia de pensamento nos currículos escolares, de sua ideologia e estruturas de valores das elites Burguesas (monárquica, agrária, capital produtivo e a financeira) na ontologia histórica.
O despertar para tal, veio das aproximações ao assistir o mestre Dermeval Saviani em curso partidário em julho/15 – Jacareí/SP e depois um seminário sobre a Pedagogia Histórico - Critica/PHC em 25 a 29 de Janeiro/16 na cidade de Limeira/SP.
Quero aqui destacar a reflexão de miséria, perante a ligação mais fecunda do tema: pensamento, idéias, história e tendências educacionais no Brasil e minha miopia perante a importância da PHC para o debate atual sobre educação Brasileira.
Do ponto de vista filosófico, miséria não é uma visão estática, mas um ponto de partida e chegada do estado de coisa apresentada pode ser considerada uma pobreza, mas uma pobreza acumulada e ter contrapartida em suas necessidades e sai do estado de coisas que se encontra; a inquietação da pobreza gera um movimento em busca da riqueza do conhecimento que se é provocado, pois bem...
Essa inquietação sai do ponto de partida, é provocada em primeiro plano no campo filosófico e em seguida no papel histórico que tiveram como condutora e vanguarda das tendências educacionais nos planos, gerenciamentos e execuções do estado na educação escolar.
Marx ao fazer a crítica a Joseph Prudhon em Miséria da Filosofia passou o bisturi (como diz Saviani) na filosofia da miséria, condenou a interpretação Prudoniana quanto à teoria do valor, a compra da força de trabalho e geração da Mais Valia; a contradição de Prudhon é aberrante pela sua pobreza tanto na filosofia como nas categorias da estrutura econômica, sua vaidade pequena burguesa cega seu olhar mais revolucionário; Marx afirma: ”O que demonstro, sobretudo é que Prudhon não tem senão idéias imperfeitas, confusas e falsas sobre a base de toda a economia política, o valor permutável, circunstanciais que o leva a ver os fundamentos de uma nova ciência numa interpretação utópica da teoria do valor de Ricardo” – Londres. Jan/1865.O lado bom, ele vê exposto pelo economista; o lado mau ele vê denunciado pelos socialistas. Toma de empréstimo aos economistas a necessidade de relações eternas, toma de empréstimo aos socialistas a ilusão de não ver na miséria senão a miséria” K. Marx – 1865.
Não diria que o estado de minha pobreza esteja tão quanto a de Prudhon perante a economia, mais diria que, o que me faltava era a indumentária da pedagogia histórico critica, para melhor interpretar a educação Brasileira e suas tendências educacionais no país e no mundo; além de uma tendência educacional próxima as minhas convicções marxista.
E porque cheguei a esta conclusão agora? Já tinha lido ESCOLA E DEMOCRACIA em 1990, estudado textos de Saviani no Movimento secundarista e na formação acadêmica de pedagogo, estudei o livro Educação: do senso comum a consciência filosófica e pedagogia histórico critica de 2002 a 2005, o primeiro livro comprado no quinto Coned em Recife-PE.
Perdura a pergunta: POR QUE DESPERTEI E ASSUMO AGORA A TEORIA PHC?
Algumas conclusões primárias e apontamentos para tal:
  1. Porque a teoria tem peculiaridade Brasileira, estuda a educação do Brasil há trinta anos sobre o critério do método do materialismo histórico dialético;
  2. Porque tem como referência a formação do ser humano na sociedade comunista para a educação contemporânea;
  3. Tem como objeto de estudo o mundo do trabalho, ou seja, a divisão do trabalho, além da propriedade privada sobre os aspectos das categorias educacionais;
  4. Suas fundamentações apresentam três pontos como eixo na sociedade comunista no processo educativo I. A individualidade livre e universal na sociedade comunista; II a auto-atividades como atividade plena de sentido e fundamento da vida na sociedade comunista e III as relações humanas plena de conteúdo na sociedade comunista;
  5. Tem compromisso de não educar a humanidade como seres abstratos, mais sim autênticos sobre a completude mais integra da formação humana;
  6. Porque é uma teoria que propõe a apropriação, pela classe trabalhadora, da totalidade do conhecimento socialmente existente;
  7. É uma teoria que se contrapõe a alienação do trabalho, ao qual Marx decifrou como uma imposição do capital e faz dos trabalhadores cegos perante as armadilhas do inimigo: o patrão;
  8. É a teoria que pela compreensão de luta de classe, afirma que o conhecimento e produção dele, não são neutros!
  9. É essa teoria que denuncia a associação entre o neopsitivismo com agenda pós moderna tendo compromisso comum com a democracia capitalista, uma espécie de antípodas solidários, com semelhança a de denúncia de Lukács (1979) sobre neopositivismo e o existencialismo; dos quais são substâncias para a renovação do pensamento de direita refinado, com adesões de intelectuais que se reivindicam de esquerda;
  10.  É a teoria que se propõe a fazer a luta ideológica no campo da produção de conhecimentos no Brasil pela superação do capitalismo e a valorização da Escola
Sobre estes aspectos conclusivos que apresentamos ao debate e o convite para a soma desta teoria, podemos destacar que esta teoria vai além das minhas conclusões, apresenta uma leitura mais fecunda do campo da psicologia histórico-cultural, em entender melhor o desenvolvimento do psiquismo³, a educação escolar e a construção do conhecimento objetivo acerca da realidade; sobre a prática educativa; da ética classista.
No desenvolvimento do psiquismo destacamos:
  • Que os pesquisadores Leontiev, Luria e Vigotski desenvolveram esta categoria de estudo;
  • Que sobre o aspecto deste desenvolvimento, Leontiev afirma que o que dá origem a forma humana no reflexo da realidade é a consciência humana; Vigotsky afirmou que existem dois planos na função do desenvolvimento da criança, o primeiro no social e o segundo é no psicológico; Saviani afirma que “a natureza humana não é dada ao homem, mas por ela produzida sobre a base da natureza humana biofísica. (...) o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada individuo singular, a humanidade que é produzida historicamente pelo conjunto dos homens” – Saviani, 2003, p.13;
  • Que o processo desse psiquismo se dar pela conversão das imagens em signos e a construção do sistema de signos denominados linguagens; depois a construção das idéias e, por conseguinte os conteúdos do pensamento que opera na regulação do comportamento através de conceitos, juízos sobre as coisas, análise/síntese, comparação. Generalização e abstração. Nesse acumulativo de funções psicológicas sensação, percepção, memória, pensamento e imaginação se dar as funções cognitivas em construção da realidade subjetiva; assim demonstramos que existe uma diferença entre emoções e sentimentos, versus pensamento empírico e pensamento teórico, mostra também que a cognição e o afetivo é parte construtiva do psiquismo;
  • No desenvolvimento do psiquismo na educação escolar, se dar a ligação do real, com maior grau de fidedignidade de representação subjetiva que chamamos de conhecimento objetivo, porque a realidade existe independentemente da consciência dos homens; a representação subjetiva da realidade em sua maturidade, historicidade e essencialidade concretizam o conhecimento objetivo. Posto isto a apropriação e prioridade dos conteúdos é a única forma de lutar contra a farsa do ensino; cabendo a educação escolar garantir o desenvolvimento da consciência transformadora nos indivíduos, sendo ferramenta indispensável para tenhamos ação ao meio e sejam sujeitos da história, instrumentalizando os indivíduos para a atividade consciente e nas transformações de si mesmos;
  • No campo da ética a PHC se ampara sob a ética marxista, onde seu objetivo ético se volta para emancipação humana, não pela via particular, mas nas condições objetivas de uma atividade pela transformação das relações de produção;
  • Na prática pedagógica, a PHC está comprometida com o projeto educativo numa visão de ser humano e de sua relação com o trabalho determinado pelo materialismo histórico-dialético; porque existe o trabalho material e não material, mas que ambos sejam transformadores da ordem vigente; nessa prática pedagógica a PHC propõe cinco momentos: o ponto de partida, problematização, instrumentalização, catarse (que é um processo de síntese com aprofundamento continuo) e ponto de chegada. Com destaque de que sem a história do individuo, não tem diagnóstico do ponto de partida; porque a sociedade capitalista não considera este critério, a avaliação da educação capitalista não garante e impede o sujeito ascender ás formas mais desenvolvida da cultura (as formas da linguagem mais elaborada) excluindo o sujeito do processo de humanização.

O que mais me empolga nesta pesquisa sobre a teoria PHC; é sua desconstrução das pedagogias do “aprender a aprender” e eu achei o que eu queria ler, sobre o modismo do construtivismo e suas influencias; a crítica da PHC ao construtivismo é direta, firme e fundamentada na abordagem histórica de onde vem esse modismo na prática pedagógica Brasileira.
Destaco as considerações aqui a critica da PHC as pedagogias do “aprender a aprender”:
  1. Seu fundamento vem da teoria de Jean Piaget, considerado como liberal no campo do pensamento, com sua obra: “a epistemologia genética” influenciou a educação Brasileira com surgimento da tendência escolanovista de Anísio Teixeira e outros na LDB de 1961; nos Parâmetros Curriculares Nacionais em 1998, com assessoria de César Cool (construtivista espanhol), onde a carta indicativa mais recente é o livro referendado por esta teoria é o livro: “Educação: Um tesouro a descobrir
  2.  Segundo Marilda Gonçalves Dias facci, no livro: Pedagogia Histórico Critica – 30 anos, p.122/2011, ela destaca a descrição de Saviani sobre a teoria do “Aprender a Aprender”. O lema “aprender a aprender” “remete ás idéias pedagógicas escolanovistas” [...] “deslocando o eixo do processo educativo, do processo lógico para o psicológico; dos conteúdos para os métodos; do professor para o aluno; do esforço para o interesse; da disciplina para a espontaneidade” Saviani (2007, p. 429);
  3. O embasamento da teoria do “aprender a aprender” não distingue filiações filosóficas, inclui vários pensadores de pólos distintos, uma verdadeira miscelânea; porque falta historicidade na epistemologia genética, visto que se apóia no biologismo e se distancia dos pressupostos Vigostyskianos (Duarte – 1996/2000);
  4. A negação dos conceitos científicos para facilitar, colaborar no processo da aprendizagem; da negação do professor como principal ator do processo de ensino; quando se esvazia o processo do conteúdo na aprendizagem, esta teoria mostra-se baseada no pragmatismo, no Espontaneismo, sem uma reflexão. Pode-se considerar que é uma teoria de cunho liberal para maquiar metodologia do capitalismo com seu pós modernismo, utilizando chavões de que tudo depende do individuo abrindo o fetiche da individualidade, como a do homem de fácil adaptação independente da precarização do trabalho que tem sofrido, mostra-se seus vínculos com a ideologia neoliberal dos  quais as políticas neoliberais de formação de professores passa pelas idéias articuladas pelas proposições construtivistas.
Depois destas conclusões e considerações sobre a PHC e o “aprender a aprender”, percebo do quanto foi cruel e cinismo ideológico no meu curso de graduação, onde afastavam o pensamento de Vigotsky do Marxismo; do quantos danos estamos tendo no processo de ensino para os filhos da classe trabalhadora e a educação escolar virarem produto do capital.
Dimensiono o universo da responsabilidade que temos ao assumir uma teoria que se contrapõe ao jurássico modelo do individualismo, do currículo secular com inovações artificiais para se perdurar como sistema e do papel transformador que temos perante esta cratera do fosso criado pelo algoz da divisão do conhecimento.
Maria Gonçalves destaca o pensamento de Vigotsky sobre o papel do professor para com o aluno, de “somente o pensamento cientifico pode contribuir para que o aluno conheça a realidade, saindo da aparência e caminhando em direção á essência das relações sociais que produzem e são produzidas pelos próprios homens. Só dessa forma teremos a maioria dos indivíduos humanizados!!!” (2011, p.141- in: Pedagogia Histórico - Critica).

                                   Jocelin de Lima Bezerra – Celino

Professor da rede Municipal de Parnamirim/RN; escritor; diretor de formação sindical da CTB/RN e Pte. do SINTSERP

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

“Tire o seu sorriso do caminho Que eu quero passar com a minha dor...” Nelson Cavaquinho
Porque educação é coisa séria
Entre a marcha de carnaval de Parnamirim que nos levaram 600 mil dos cofres públicos, que poderiam servir mais a saúde e educação, estamos marchando para mais uma divina comédia de negociação dos trabalhadores em educação de Parnamirim, lembrando que fatos anteriores mostram esse perfil de comportamento da comissão negociadora do Prefeito; o fato recente é que no último dia onze de Fevereiro/16, a direção do SINTSERP sentou com uma comissão do Prefeito Mauricio Marques e apresentaram uma proposta de parcelamento de 5x do reajuste aos professores de Parnamirim no percentual de 11,36%, de cara afrontando a Lei 11.738/2008 que descreve a integralidade do pagamento deste reajuste anual todo mês de Janeiro.
Com o enredo de brincadeira do rato e o gato; um dia após, a secretária de educação reuniu os gestores das escolas municipais e prometeu que o prefeito pagaria em Março integralmente os 11,36%. Este ato me fez recordar o avelhantado período das viúvas de Delmira, onde prefeito dizia ao sindicato uma proposta e na semana pedagógica era outra.
Perguntar não faz mal a ninguém, mais a quem a comissão de negociação do Prefeito Mauricio Marques quer enganar? Por que não apresentou a proposta do discurso na semana pedagógica ao SINTSERP? POR QUE NO DISCURSSO DA SEMANA PEDAGÓGICA DO PREFEITO NÃO FALOU DE PAGAMENTO INTEGRAL? Porque até agora a secretária de educação não confirmou oficialmente a proposta do discurso na abertura da semana pedagógica? Será que essa tática do PREFEITO Mauricio Marques é pra arrefecer o movimento Grevista acontecida em seis anos dos seus oito anos de governo? Ou quer culpar o SINTSERP por não aceitar a proposta descabida de Mauricio Marques? Hein?
Na ufanização do positivismo, a abertura da semana pedagógica/16 apresentou várias contradições, entre eles: os pontos positivos avançados como se fosse obra do gestor e não a luta da categoria (apesar de reconhecida nas entrelinhas e não no destaque do propulsor e ator); o não de nossa presença na mesa da abertura, como critério da fala e a entrega da posse de um gestor eleito Democraticamente, pelo único vereador contrário ao decreto da gestão democrática nas escolas de Parnamirim.
Ora! Venhamos e não convenhamos com esse estilo dúbio e esquizofrênico com o tema educação, educação para a sociedade, os trabalhadores e os alunos, é coisa séria, não dá para no momento em que exercitamos um processo democrático (mesmo que contraditório de sua plena virtude), percebemos que não existe seriedade ao tratamento quando se fala em reajuste dos professores; criam um ufanismo favorável ao vazio da realidade e muitos ainda se embriagam com esse estilo de ser enganado por quem tem o papel de cumprir o direito.
A educação escolar de Parnamirim não anda bem, não adianta pintar o sete por oito; o Prefeito todo mês não paga aos professores da jornada suplementar em dia; finalizamos o ano com sérios problemas na merenda dos alunos; dezenas de trabalhadores não receberam seu sagrado terço de férias; a violência nas escolas, sem um aparato de segurança ao patrimônio publico e as eleições para diretor de escolas precisam chegar aos 100% das escolas e não 2,4% da totalidade.
Mauricio Marques não abuse da paciência e da consciência dos trabalhadores, porque a resposta será no mesmo nível de sua agressão aos nossos direitos!
               
                                                                                              Celino Bezerra

                                                            Professor da rede municipal e Pte. Do SINTSERP

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

UM ANO

ele começa depois do carnaval
foi pros cãos
não foi em vão

brincou com alegria e energia
os primeiros dias do ano
de janeiro a fevereiro
descansando estudando nos dias

agora vem a agonia
é uma corrida
não se perde tempo
não é terapia

é boa noite, boa tarde
e bom dia
as horas passam
só a noite é vazia

o ano é essa estrada
de aperreios e atropelos
as vezes desvairada
mas escovando a contra pelos

trabalhando e virando enredo
as vezes nas escolas
as vezes num vinhedo
o cansaço não me dobra

só em dezembro com  janeiro
que meu corpo descança
com bonança de cachaceiro
uma com uma divina priguiça santa

porque meu poema
do ano inteiro
só lembra de trabalho
de janeiro a janeiro

CELINO